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m 2009 a China passou a Alemanha e tornou-se a maior exportadora do mundo! Fábricas no mundo inteiro estão sendo fechadas, desde a Europa até às três Américas. Pra cada fábrica que se fecha no Brasil, uma se abre na China. Alguns podem dizer: “É a lei do mercado! O custo-Brasil é muito alto, etc e etc”.
Sabe, de certa maneira, eu concordo com essas pessoas… É a lei do mercado que transfere a produção de uma fábrica brasileira que contrata por carteira assinada respeitando as normas trabalhistas e ambientais (Há exceções) pra abrir uma fábrica na China. Nessas fábricas, onde não se respeitam direitos trabalhistas ou leis ambientais (Não há exceções), temos crianças trabalhando mais de 16 horas por dia, pessoas sendo demitidas por terem sofrido um acidente de trabalho. Ou seja, também existe um custo-China, e esse, muito mais perverso que o nosso. Se o custo-Brasil é carteira assinada, salário mínimo, aposentadoria, preservação ambiental… Quero pagar por ele! Essas garantias básicas são partes de uma ideia conhecida como comércio justo.
Para além dos problemas ambientais in loco das fábricas chinesas, temos também a questão da poluição produzida pelo transporte desse comércio internacional. São os gases liberados na combustão dos caminhões, navios e até aviões que contribuem cada vez mais para o efeito estufa. Quando você tem a opção de comprar um chocalho fabricado no Brasil que precisou de um transporte terrestre de alguns quilómetros e você opta por um chocalho Made in China, você está contribuindo para o aquecimento global.
Como consumidores, temos o poder de escolher a proveniência dos produtos que adquirimos. Nós escolhemos se compramos produtos com exploração infantil, com esfoliação do trabalhador, com degradação ambiental e, que desemprega nosso povo. Além de toda essa questão sócio-ambiental, temos também um outro reflexo de todo esse processo, é a baixa qualidade dos produtos chineses, qualidade essa que põe em risco nossa própria saúde e segurança.
No dia 12/01/2010, saiu no jornal O GLOBO que o Walmart (Aliás essa é a maior “franquia” da China no mundo) importava da China umas bijuterias para crianças que vinham com chumbo em sua composição, o chumbo é um elemento tóxico! Então o Walmart reclamou. O que a China fez? Retirou o chumbo. E pôs cádmio no seu lugar, outro material tóxico. Entre vários outros e repetidos casos, tivemos o recall de carrinhos de bebê que amputavam dedos das crianças ou os casos da Mattel, maior “fabricante” de brinquedos do mundo, dona da marca Fisher-price e que terceiriza toda sua produção na China. Após alguns milhões de brinquedos com defeito, Mattel criou um site só para recalls!!!
Tudo bem, aí você muda de ideia e resolve consumir apenas produtos co
m o selo de “Indústria Brasileira”. Sinto informar, mas o problema não acabou, dentre os produtos produzidos no Brasil ainda temos aqueles que são produzidos por uma empresa estrangeira. Aí você me pergunta, e qual o problema? O problema é que você está dando dinheiro do país em vão… Só nos últimos dois anos, 2009 e 2010, a remessa de lucros ao exterior foi equivalente a mais de 50 bilhões dólares!!! Não vou nem pensar onde esse dinheiro poderia ser investido, seria um pensamento desperdiçado.
Vivemos num mundo capitalista, querendo ou não, fazemos parte disso. E, como partes do sistema temos que interagir com ele, assim, o que proponho é um consumo consciente. Três passos importantes para um consumo consciente:

“Made in China, e daí?” por
Gutemberg Motta é licenciado sob
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