
Fotografada por Beatriz Prestes Botelho
Sou guiado pelo astro-rei, o calor que dele emana me mantém em funcionamento. Apesar de toda sua luz e de toda sua força, quem muda minha gravidade, quem enche marés e esvazia baías é um pequenino corpo celeste, maior que um asteróide, sem luz própria e acizentado.
Entre tantas galáxias, nascemos um junto ao outro, fazemos parte do mesmo sistema. Somos tão diferentes e tão parecidos, feitos da mesma matéria, vindos da mesma origem. Tudo que eu faço é esperar o entardecer para te reencontrar.
De todas tuas fases, só uma me olha por inteiro. Mas eu, bobo, mesmo nas manhãs douradas ou nas noites nubladas, sempre me lembro de teus contornos. Durante todo o dia, durante todos os dias, meu corpo se agita, minha terra treme, meus vulcões continuam em atividade, como quem quer alcançar, como quem vê uma chance, como quem prevê um futuro…
Existe entre nós uma distância, mas devemos lembrar que ela é feita de vácuo. Quero te convidar a dançar a valsa das tempestades cósmicas, entraremos no primeiro buraco negro que encontrarmos e só pararemos quando chegarmos numa outra dimensão, numa vida paralela onde, enfim, possamos viver o nosso amor.

“Lua” por
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