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O que é isso que sentimos?

O que é isso que sentimos?
Que nos devora por dentro
E ainda sim nos preenche

O que é isso que sentimos?
Que nos angustia
E não importa de onde vem

O que é isso que sentimos?
Que nos torna tão frágeis
E tão fortes ao mesmo tempo

O que é isso que sentimos?
Que está ligado ao outro
E existe independente dele

O que é isso que sentimos?
Que nos faz sangrar
E pode nos curar

O que é isso que sentimos?
Que por muitas vezes nos arriscamos
E não medimos consequências

O que é isso que sentimos?
Que pode nos levar a morte
E nos enche de felicidade

O que é isso que sentimos?
Que faz nossos olhos brilharem
E nossas mão suarem

O que é isso que sentimos?
Que nos faz sofrer
E não abandonamos

O que é isso que sentimos?
Que quanto mais perto melhor
E quanto mais longe menor ficamos

O que é isso que sentimos?
Que desafia as razões
E nos põe em cheque

O que é isso que sentimos?
Que muitos chamam de amor
E sabemos que isso é pouco

Creative  Commons License
“O que é isso que sentimos?” por
Gutemberg Motta é licenciado sob
Creative Commons Atribuição 2.5 Brasil License.

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4 Responses to “O que é isso que sentimos?”


  1. 17/05/2011 às 22:31

    Eu me lembrei dessa música ao ler sua poesia!

    O que será que me dá
    Que me bole por dentro, será que me dá
    Que brota à flor da pele, será que me dá
    E que me sobe às faces e me faz corar
    E que me salta aos olhos a me atraiçoar
    E que me aperta o peito e me faz confessar
    O que não tem mais jeito de dissimular
    E que nem é direito ninguém recusar
    E que me faz mendigo, me faz implorar
    O que não tem medida, nem nunca terá
    O que não tem remédio, nem nunca terá
    O que não tem receita
    O que será que será
    Que dá dentro da gente e que não devia
    Que desacata a gente, que é revelia
    Que é feito uma aguardente que não sacia
    Que é feito estar doente de uma folia
    Que nem dez mandamentos vão conciliar
    Nem todos os ungüentos vão aliviar
    Nem todos os quebrantos, toda alquimia
    Que nem todos os santos, será que será
    O que não tem descanso, nem nunca terá
    O que não tem cansaço, nem nunca terá
    O que não tem limite
    O que será que me dá
    Que me queima por dentro, será que me dá
    Que me perturba o sono, será que me dá
    Que todos os ardores me vêm atiçar
    Que todos os tremores me vêm agitar
    E todos os suores me vêm encharcar
    E todos os meus nervos estão a rogar
    E todos os meus órgãos estão a clamar
    E uma aflição medonha me faz suplicar
    O que não tem vergonha, nem nunca terá
    O que não tem governo, nem nunca terá
    O que não tem juízo

    • 2 gutembergmotta
      18/05/2011 às 14:03

      Lilia,
      Chico Buarque e eu estamos falando sobre o mesmo sentimento. A grande diferença é qualidade com que ele faz isso… Perto dele, não sou nem um amador…
      Mas admito que fico feliz com a conexão!!!
      Bjos!

  2. 3 André Laucas
    02/06/2011 às 10:00

    Bom quando as palavras fluem naturalmente. Muito bom o texto!!! abçs


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